O técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti, prestou depoimento nesta quarta-feira (2) em um tribunal espanhol, onde enfrenta acusações de não ter pago cerca de 1 milhão de euros (US$ 1,08 milhão) em impostos sobre seus direitos de imagem
Durante sua declaração, o italiano afirmou que sempre acreditou estar em conformidade com as leis fiscais: “Para mim, tudo estava em ordem. Nunca tive a intenção de cometer fraude”, declarou.
No primeiro dia do julgamento, Ancelotti explicou que, ao assinar contrato com o Real Madrid, recebeu uma oferta de salário líquido de 6 milhões de euros e confiou à equipe do clube e ao seu assessor britânico a estruturação financeira do pagamento.
“Para mim, era algo normal, porque naquela época todos os jogadores e até o técnico anterior tinham adotado o mesmo modelo”, acrescentou o treinador, que depôs por cerca de 40 minutos.
Ancelotti se junta a uma lista de grandes nomes do futebol investigados pela Receita espanhola por suposta evasão fiscal. Enquanto jogadores como Cristiano Ronaldo e Diego Costa optaram por acordos extrajudiciais, pagando altas multas, outros, como Xabi Alonso, levaram seus casos até a Justiça e conseguiram provar inocência.
O Ministério Público pede uma pena de prisão de quatro anos e nove meses para Ancelotti, além de uma multa de 3,2 milhões de euros, sob a alegação de que ele declarou apenas o salário recebido do Real Madrid, omitindo os ganhos provenientes de seus direitos de imagem nos anos de 2014 e 2015.
Em sua defesa, Ancelotti argumentou que os direitos de imagem têm um peso muito menor para treinadores do que para jogadores. “Treinadores não vendem camisas”, pontuou.
A Receita espanhola já teria confiscado a dívida e os juros correspondentes. O processo segue em andamento e um acordo extrajudicial ainda pode ser negociado a qualquer momento. O veredito final deve sair nas próximas semanas.
A audiência também contou com os depoimentos da esposa do treinador, Mariann, de seu filho Davide e de sua enteada Chloe.