Demandas do presente: “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar

Demandas do presente: “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar

O poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar, pode ser tomado como exercício lírico-existencial, cuja elaboração estética articula metáforas sintomáticas de uma subjetividade cindida. A economia estética do poema ensaia uma arquitetura do desejo em “traduzir-se”, que manifesta a perplexidade do sujeito...

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Journal Title: Anuário de Literatura
Author: Sandro Adriano da Silva
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Language: Undetermined
Get full text: https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/2175-7917.2013v18n2p123
Resource type: Journal Article
Source: Anuário de Literatura; Vol 18, No 2 (Year 2013).
DOI:
Publisher: Universidade Federal de Santa Catarina
Usage rights: Reconocimiento (by)
Categories: Social Sciences/Humanities --> Literature
Social Sciences/Humanities --> Literary Reviews
Social Sciences/Humanities --> Literary Theory --AMP-- Criticism
Abstract: O poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar, pode ser tomado como exercício lírico-existencial, cuja elaboração estética articula metáforas sintomáticas de uma subjetividade cindida. A economia estética do poema ensaia uma arquitetura do desejo em “traduzir-se”, que manifesta a perplexidade do sujeito lírico diante do descentramento dessa experiência de “vertigem” e põe em suspeição sua tradução possível como arte. Neste artigo, apostamos em uma interpretação que considera rentável uma aproximação entre literatura e alguns pressupostos da psicanálise e da teoria e crítica de poesia, a fim de lançar um horizonte de compreensão sobre a emblemática poesia de Ferreira Gullar. O poema alude a uma autorreferencialidade do eu lírico e de suas marcas narcísicas, delineia um horizonte de ordem intersubjetiva, no qual se vislumbra um potencial alteritário do sujeito lírico, a emergência de uma subjetividade que se prenuncia híbrida, conflituosa: o eu poemático é gestado e ganha contornos existenciais num drama de linguagem. Uma “tradução” sempre contemporânea.
Translated abstract: The poem "Translate to" by Gullar, can be taken as lyrical existential exercise where the preparation is divided into aesthetic metaphor-symptom of a split subjectivity. The aesthetic economy of the poem rehearses an architecture of desire to "translate" that expresses perplexity of the lyrical subject before the overthrow of this experience of "vertigo" and puts suspicion on his translation possible in art. In this article, we bet on an interpretation that considers an approximation profitable between literature and some assumptions of psychoanalysis and the theory of poetry and criticism, to launch a horizon of understanding that this is touted as one of the most iconic poems Gullar. The poem alludes to a self-referentiality of the lyrical self and its brands narcisistic, outlines a horizon of intersubjective order, in which one sees a potential altering the lyrical subject, the emergence of a subjectivity that foreshadows hybrid conflict: the self is gestated poetic and is outlined in existential drama language. Always contemporary “translation”.